ETFs de altcoins vs. ETFs de Bitcoin: os fundos de altcoins vão ter desempenho superior?

A ascensão dos ETFs de Bitcoin em 2024 foi um divisor de águas para a adoção institucional de criptomoedas. Mas, à medida que os reguladores se mostram mais abertos à classe de ativos, surge uma nova pergunta: os ETFs de criptomoedas, especialmente os de altcoins, podem desafiar os fundos exclusivos de Bitcoin?
Embora os ETFs de Bitcoin dominem hoje, os de Ethereum, Solana e outros ETFs de altcoins já estão sob análise regulatória. Os defensores argumentam que ETFs de criptomoedas diversificados refletem melhor a inovação do setor, enquanto os céticos citam a liquidez do Bitcoin e sua vantagem regulatória.
Esta análise explora se os ETFs de altcoins podem virar o jogo, com foco em três pilares:
- Mudança nas prioridades regulatórias para ativos que não são Bitcoin
- Tendências de participação de mercado das altcoins em relação ao Bitcoin
- Apetite dos investidores por diversificação ajustada ao risco
Vamos aos dados.
1. O domínio dos ETFs de Bitcoin: o gigante institucional
Participação de mercado e AUM: um quase monopólio
Os ETFs de Bitcoin concentram esmagadores 90% dos ativos de fundos de criptomoedas no mundo, com US$ 94,5 bilhões em ativos líquidos nos EUA, contra 10% dos ETFs de altcoins. Principais fatores:
- Só o iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, detém 575.780 BTC (50,9% da participação de mercado dos ETFs de Bitcoin), segundo a Coinglass.
- Posições somadas: os ETFs de Bitcoin já mantêm sob custódia mais de 1,1 milhão de BTC (~US$ 103,34 bilhões), ofuscando as reservas combinadas dos ETFs de altcoins.
- Absorção institucional: durante a volatilidade do fim de novembro de 2024, os ETFs de Bitcoin absorveram cerca de 90% da pressão vendedora de detentores de longo prazo (Glassnode).
Os aportes institucionais contam a mesma história

Os fundos de Bitcoin dominam os fluxos de capital, o que reflete a priorização do BTC em relação às altcoins pelos institucionais:
- US$ 541 milhões em aportes no acumulado do ano em ETPs de Bitcoin (incluindo ETFs), superando Ethereum (2,5x), XRP (2,5x) e Solana (7x).
- Disparidade de AUM: o Bitcoin reúne US$ 114,54 bilhões (87% de todos os ativos em ETPs de criptomoedas), enquanto o Ethereum fica atrás, com US$ 7 bilhões (5% de participação).
Há uma mudança clara na forma como o Bitcoin está sendo tratado, e Wall Street está no centro dela. A Fidelity apontou recentemente que o Bitcoin está sumindo rapidamente das corretoras, principalmente porque empresas de capital aberto o estão comprando, e o ritmo só aumenta. Desde novembro, mais de 425.000 BTC saíram das plataformas de negociação. Só neste ano, empresas listadas têm acumulado cerca de 30.000 BTC por mês, somando 350.000 BTC desde a eleição nos EUA.

Esse tipo de compra constante não vem de pequenos traders. Grandes carteiras, que detêm de 1.000 a 10.000 BTC, têm comprado nas quedas de preço, sem hesitar, enquanto os investidores de varejo entram em pânico e vendem. Na verdade, carteiras com 10 a 10.000 BTC agora controlam 67,77% de todo o Bitcoin em circulação e acrescentaram mais de 53.000 BTC desde o fim de março.

Ao mesmo tempo, os saldos de Bitcoin nas corretoras estão caindo. Restam apenas 2,535 milhões de BTC, queda de mais de 7% desde janeiro, atingindo níveis que não víamos desde 2018. Além disso, a média de 100 dias do Bitcoin que entra nas corretoras está agora a mais negativa em dois anos, o que significa que mais moedas estão sendo sacadas e provavelmente guardadas para o longo prazo.

Mais um sinal revelador? O Exchange Whale Ratio caiu abaixo de 0,3, sugerindo que os grandes players não estão mais fazendo operações repentinas capazes de mexer com o mercado. Em vez disso, estão acumulando discretamente enquanto o cenário segue relativamente calmo.
Juntando tudo isso, a mensagem é bem clara: as instituições não estão mais apenas experimentando o Bitcoin; elas o estão guardando e jogando o jogo de longo prazo.
Métricas de desempenho: a estabilidade incomparável do Bitcoin
De acordo com a análise da Coin360 com base em dados da SosoValue, os ETFs de Bitcoin demonstram maior convicção dos investidores do que os de altcoins, como, por exemplo, o Ether:
- Consistência de aportes: 203 de 322 dias (63%) com fluxo líquido positivo, contra 83 de 189 dias (44%) dos ETFs de Ethereum.
- Capacidade de pico: 5 dias com aportes líquidos >US$ 1 bilhão (Bitcoin) contra o pico diário de US$ 400 milhões do Ethereum.
- Resiliência a saques: apenas 1 dia com resgates líquidos >US$ 1 bilhão nos ETFs de Bitcoin, enquanto os fundos de altcoins enfrentam saques pequenos com frequência.

Ponto fora da curva: em 22 de abril de 2025, os aportes nos ETFs de Bitcoin saltaram para US$ 912 milhões (mais de 500x a média diária de 2025), o que evidencia seu papel de “porto seguro” em momentos de estresse no mercado. Já os ETFs de Ethereum não registraram nenhum dia acima de US$ 500 milhões em aportes.
Esses dados reforçam a vantagem estrutural dos ETFs de Bitcoin: liquidez, escala e confiança institucional seguem sem paralelo. Os ETFs de altcoins têm uma batalha difícil pela frente para reduzir essa distância.
2. ETFs de altcoins: desafios e oportunidades ocultas
Labirinto regulatório trava as aprovações de ETFs
Enquanto os ETFs de Bitcoin e Ethereum abriram um caminho regulatório, a corrida dos ETFs de altcoins ainda está parada na linha de largada. Segundo analistas da Bloomberg e pedidos acompanhados por especialistas em ETFs, 72 ETFs relacionados a criptomoedas aguardam atualmente a aprovação da SEC, alguns visando listagens à vista, outros mirando produtos alavancados ou contratos de opções.

- Esses produtos pendentes abrangem todo o espectro, de nomes populares como Solana (SOL), XRP, Litecoin (LTC) e Dogecoin (DOGE) a ativos especulativos como PENGU, TRUMP e até MELANIA.
- O XRP se destaca na multidão. Após o acordo parcial com a SEC em abril de 2025, ganhou força, com 11 pedidos de ETF já protocolados, seguindo o precedente do Bitcoin alavancado da Teucrium.

- A Truth.Fi, joint venture da Trump Media, Crypto.com e Yorkville, também está entrando na arena. Com um fundo planejado de US$ 250 milhões, a linha de ETFs “Made in America” terá foco em ações do setor de criptomoedas e ativos digitais assim que receber sinal verde.
O que está segurando esses ETFs?
Apesar da demanda crescente dos investidores, lacunas estruturais e regulatórias continuam travando as aprovações de ETFs de altcoins.
Principais questões:
- Disparidade de capitalização de mercado: o domínio absoluto do Bitcoin, com US$ 1,85 trilhão, ofusca as demais altcoins (XRP com US$ 129,9 bilhões, SOL com US$ 78,2 bilhões, DOGE com US$ 26,5 bilhões e LTC com US$ 6,3 bilhões), levantando preocupações com liquidez e choques de volatilidade.
- Estruturas de vigilância: a SEC insiste em acordos de compartilhamento de vigilância semelhantes aos existentes para os ETFs de BTC. A maioria das altcoins não é negociada em corretoras com esses mecanismos, o que torna a aprovação improvável, a menos que os solicitantes encontrem mercados em conformidade ou estruturas alternativas.
Por ora, a onda de ETFs de altcoins é mais promessa do que realidade. Mas, se a SEC mudar de postura, as comportas podem se abrir, remodelando a lista de ETFs de criptomoedas e liberando um espectro mais amplo de veículos de investimento regulados.
3. Consenso de especialistas e riscos para o investidor
ETFs de Bitcoin: o padrão-ouro para os institucionais
O Bitcoin continua sendo a espinha dorsal da adoção de ETFs de criptomoedas, e seu domínio nesse segmento não é por acaso. Ele atende a quase todos os requisitos que importam aos investidores institucionais: escassez, liquidez e clareza regulatória.
- Em seu rali mais recente, até US$ 94.000, o Bitcoin superou temporariamente a Alphabet (empresa controladora do Google) e se tornou o quinto ativo mais valioso do mundo, com capitalização de mercado de US$ 1,87 trilhão, ultrapassando por pouco os US$ 1,859 trilhão da Alphabet.
- Mesmo após recuar, o Bitcoin segue à frente da prata, da Amazon, da Meta e da Saudi Aramco, embora ainda fique atrás de grandes classes de ativos como imóveis (US$ 635 trilhões), dívida global (US$ 141 trilhões) e ouro (US$ 23 trilhões).
- Bloomberg Intelligence aponta a estabilidade de preço e a volatilidade relativamente baixa do Bitcoin como catalisadores para uma adoção mais ampla, incluindo uma possível integração às estratégias de tesouraria de empresas de capital aberto.

Esse nível de maturidade explica por que os ETFs de Bitcoin lideram, tanto em aprovação da SEC quanto em entrada de capital. Isso estabelece um padrão elevado para as altcoins seguirem.
Altcoins: armadilhas de volatilidade e valuation
Enquanto o hype em torno das altcoins cresce, os sinais de cautela também aumentam. Para muitas altcoins, o desempenho recente tem sido brutal, especialmente para os primeiros investidores presos em rodadas privadas ou OTC.
Retrato do desempenho das altcoins (maio de 2024 a abril de 2025):

No geral, os investidores com tokens bloqueados tiveram perdas médias de quase 50%, enquanto o mercado mais amplo corrigiu cerca de 40,7%. Essa discrepância entre as avaliações iniciais em OTC e os preços à vista atuais é um lembrete claro do risco de liquidez e da supervalorização especulativa.
Para quem espera por um ETF, essas oscilações de preço e distorções de valuation dificultam a aprovação regulatória. A SEC não busca apenas demanda de mercado; ela busca estabilidade de mercado. E, até que as altcoins atinjam esse padrão, o domínio do Bitcoin nos ETFs de criptomoedas seguirá sem ser ameaçado.
4. Perspectivas para 2025: a liderança inabalável do Bitcoin
Os ETFs de Bitcoin continuarão no topo
À medida que os ETFs de criptomoedas se expandem, os analistas esperam de forma geral que o Bitcoin mantenha seu domínio no mercado. Eric Balchunas, da Bloomberg, projeta que os ETFs de Bitcoin concentrarão 80–85% do total de aportes em ETFs ao longo de 2025, e os motivos são claros.

Por que o Bitcoin lidera:
- Infraestrutura institucional: os ETFs de Bitcoin são respaldados por pesos-pesados como BlackRock, Fidelity e CME, o que lhes dá credibilidade incomparável e integração perfeita às finanças tradicionais.
- Precedente regulatório: a classificação clara do Bitcoin pela SEC como commodity, e não como valor mobiliário, elimina ambiguidades e o torna uma aposta mais segura para emissores, traders e reguladores.
Essa combinação de clareza regulatória e acesso institucional significa que o Bitcoin continuará absorvendo a maior parte dos aportes em ETFs de criptomoedas, independentemente do hype em torno das altcoins.
ETFs de altcoins: grandes picos, pequena fatia
Embora os ETFs de altcoins possam provocar movimentos explosivos de preço, como a alta de +300% do XRP em 2024, seu impacto de longo prazo nos aportes em ETFs deve ser pequeno.
- Esses produtos provavelmente vão capturar uma fração da participação de mercado dos ETFs de Bitcoin.
- Os obstáculos regulatórios persistentes e a maior volatilidade continuam limitando seu apelo para os institucionais, apesar do crescente interesse do varejo.
Os ETFs de altcoins terão um papel na diversificação do cenário de ETFs, mas não vão destronar o Bitcoin. Em vez disso, coexistirão como veículos especulativos, enquanto o Bitcoin consolida sua posição como âncora dos ETFs no mercado de criptomoedas.
Conclusão: o Bitcoin lidera, mas a disputa continua aberta
O domínio do Bitcoin no universo dos ETFs é inegável, por enquanto. Sua clareza regulatória precoce e a adesão institucional o transformaram na base dos produtos de investimento em criptomoedas. Mas, em um mercado que evolui rápido, nada é definitivo.
Os ETFs de altcoins, ainda em estágio inicial, estão ganhando força. À medida que a infraestrutura melhora e os marcos regulatórios amadurecem, seu papel pode se expandir de forma significativa. Ativos como XRP, Solana e outros já mostraram que conseguem atrair a atenção dos investidores e, se forem aprovados, seus ETFs podem trazer diversificação e oportunidades de crescimento além do Bitcoin.